Para minha criança interior

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O pensamento de que aqui, dentro do meu corpo, ainda habita a criança que eu fui é algo que realmente aquece meu coração, tem dias que eu me sinto muito conectada a essa criança, não por coincidência, sou incrivelmente mais tranquila nesses dias.

A minha criança sempre foi sentimental e essa era minha qualidade preferida, eu era do tipo que abraçava e pedia carinho, algumas pessoas diriam até que eu era muito mimada, mas eu não concordo muito com isso.
Quando resgato memórias da minha infância, chego a conclusão de que o grande problemas dos adultos é acha que tudo o que envolve o universo infantil pode ser tachado de birra. Acho desmerecido esse tipo de pensamento.
Veja bem, eu, que sou adulta, muitas vezes nem consigo expressar com palavras o que sinto, fica embaralhado dentro do peito e vira um nó enorme na garganta. Imagina como é isso para alguém que ainda nem sabe nomear o que sente.

É tão injusto.

Eu cresci e aprendi que precisava ser forte e, de uma forma meio bizarra, eu associei que demonstrar meus sentimentos era fragilidade, resolvi que era melhor guardar só pra mim. Por muitas vezes me senti errada e inadequada, quantas vezes questionei se era normal achar tudo ao meu redor tão bonito como querer guardar o pôr do sol em um potinho, fechar os olhos só para sentir o vento, desejar bom dia secretamente a todos as pessoas que passavam por mim ou, o mais difícil de todos, me esconder no banheiro para chorar sem nenhuma explicação, sem tristeza, só por sentir o mundo todo pulsando dentro de mim.

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Não consigo explicar o quanto foi errado tentar esconder quem eu sou só para demostrar força. Existem marcas na minha alma até hoje.

Crescer é uma dor latejante que não envolve só transformações físicas. a gente chora tanto por não saber o que vem depois, é assustador demais. É exatamente por isso que eu acredito no acolhimento.

Aqui, no meu mundo hoje, cheguei a conclusão de que tudo o que nasce no meu coração é pra ser sentindo mesmo, eu sou forte exatamente por me permitir tanto.
Sou sentimental e essa é a única maneira que eu sei viver bem, tipo agora que eu ia postar uma foto no insta para falar que amo brincar com meu reflexo, mas eu aí eu olhei a foto e enxerguei a criança mais legal que já conheci na vida: eu mesma.

A ideia de que amar, proteger, cuidar de alguém vai “estragar”, mimar e tantas outras coisa que estamos acostumados a ouvir, simplesmente não entra na minha cabeça.
Em algum momento da minha vida eu também fui uma criança assustada então dou um jeito de reencontrar essa menina e acolher ela de alguma forma.

Tem sido um processo lindo e revelador.

Você cresceu sim, mas se procurar bem dentro de você, vai encontrar a sua criança também, cuida com carinho dela e escuta o que ela tem a te dizer pois ninguém te conhece melhor que ela.

EUBEBE

A criança que eu mais amo na vida.

 

 

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A maior guerra é interna

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Cada lágrima, uma cachoeira

Eu estava fazendo uma faxina no meu computador e encontrei arquivos que eu nem lembrava da existência, são imagens e vídeos de alguns anos, arquivos de quando eu sonhava em aprender a fotografar, aprender a produzir e editar vídeos, editar imagens e tudo que tanto encheu meus olhos por tanto tempo. Em meio a tanta nostalgia, eu percebi que nunca fui muito gentil e honesta comigo mesma pois mesmo tendo a total noção que era um começo, eu já me cobrava a níveis profissionais e toda essa cobrança nunca foi saudável.

Eu nasci e cresci em um lugar sem muitas expectativas de vida, muitas vezes questionei minha capacidade intelectual baseada no meu endereço e ainda assim eu consegui cultivar e florescer um coração muito sonhador. No entanto, sempre me pareceu muito impossível ser a pessoa que cria, a que aprende, a que faz.

Quantas vezes neguei minhas vontades pelo simples medo de ser ridicularizada ou acabar frustada com o futuro. sempre aceitei pouco por achar que merecia pouco.
Foi na faculdade que eu percebi meu gosto por imagens, tomei gosto por aprender cada vez mais. Contudo, também foi o lugar que mais me machucou  – por dentro eu nunca consegui acreditar que merecia mesmo pertencer aquele local.

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Eu me sentia constantemente uma criança tentando mostrar para todo mundo o que eu sabia, eu queria os aplausos, os holofotes, eu me esforçava tanto e mesmo quando era notada ainda conseguia me sabotar, vivia achando que era sorte, somente isso, nunca talento.
Mesmo agora, quando alguém fala que eu sou talentosa, eu tenho vontade de me esconder, sinto medo e vergonha, nunca acho que sou suficientemente boa ou merecedora e mesmo assim o meu coração é muito sonhador e inquieto, eu realmente não posso ver nada ligado ao audiovisual e não sentir vontade de aprender, de conversar sobre e entender o processo.
A minha eterna curiosidade é o que me salva da vida todo santo dia.

Olhando para o meu passado, nesses arquivos, penso que sempre quis muito sim e sempre fiz muito mais do que o esperado, mas ainda assim a sensação de nunca ser o suficiente ainda me atormenta.

Estou com esse grande questionamento na cabeça sobre o que é ser suficiente ou para quem eu preciso ser suficiente.

Sempre acreditei que a maturidade ia resolver essas questões tão juvenis mas a real é que não é bem assim, sinto que além dos meu dilemas de vida adulta ainda preciso olhar para trás e resolver minhas questões do passado. Ao final tenho muitas perguntas e pouquíssimas respostas.

O meu grande desafio é tentar silenciar meu ego e esse medo que não me pertence.

courage

É o processo. Processos são difíceis.

Minha única resolução para 2018 é tentar ser cada vez mais espontânea e gentil comigo mesma, reabri esse espaço para contar sobre minha vida e experiências é  um ato de gentileza sim e de muita coragem.

E para quem está aprendendo algo novo eu só posso desejar paciência e persistência, o novo assusta mesmo e tudo bem.

Um passo de cada vez.

 

(Fiz esse vídeo na tentativa de colocar para fora tudo o que eu sinto)

 

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Gentileza gera beleza.

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Passei a semana inteira com um sentimento bom, como se alguma coisa muito boa fosse acontecer a qualquer momento, eu acredito que isso aconteceu porque comecei a segunda bem animada.
É estranho quando estamos esperando algo enorme, algo que poderá mudar nossa vida para sempre, e temos esse tipo de sentimento, né?

Chegamos à essa sexta-feira e nada aconteceu, eu já estava pensado: “bom, fui enganada outra vez”. Mas a vida é mesmo uma coisa louca, uma coisa tão louca que nos pega nas particularidades.
Hoje eu fiz um pequeno favor à uma senhora e, na volta, me deparei com essa folha em formato de coração:

fotofolha

Não sei vocês, mas eu acredito nos mínimos detalhes, e nos sinais da vida. Eu tenho mania de ver beleza em tudo, deve ser porque sou muito sensível, e eu já falei uma vez que essa é a minha qualidade mais bonita, é o que me ajuda a ser quem sou.
Às vezes estamos esperando que a mudança seja um trem passando por cima de tudo, quando, na realidade, ela está acontecendo a todo momento nos detalhes, nos favores que fazemos, na música nova que escutamos, no caminho que refazemos, naquela personagem que te marcou, o sorriso que você deu, enfim, em tudo.

Bem, no final das contas, a senhora, para quem eu fiz o favor, me trouxe um pouco do peixe que ela havia feito. Isso me marcou demais, quantos dos seus vizinhos, nos dias de hoje, fazem isso? É aquela coisa de gentileza gerar gentileza. Quer dizer, nesse caso, gentileza gerou beleza.

O meu pressentimento não estava errado, mas minhas expectativas estavam. Realmente algo grandioso aconteceu: a beleza dos dias me pegou. Isso é o melhor que eu poderia desejar de uma semana.

Tem um final de semana chegando com tudo, não esqueça de olhar para todo os lados, pois a beleza está acontecendo de uma forma extraordinária. ❤

folha 3

Beijos. 🙂